5 X 1

Não é todo dia que se encontra sexo de qualidade, querido leitor. Quando se encontra em meio ao paraíso contemporâneo, nem sempre se esbarra no desconhecido íntimo novamente. Sendo assim, Adão decidiu salvar na pasta da memória do prazer e demorar mais pra procurar sua presa novamente. Dessa maneira, aproveitou o clima frio que acalma os ânimos e passou a ficar mais na toca. No último instante, quando é preciso tomar uma atitude, resolve da maneira mais rápida, segura, prática e antiga do mundo, o famoso cinco contra um. Pode ser demorada e estimulada por um espelho, além de ser um exercício de amor próprio e autovalorização. Adão prefere sair com os amigos em prrogramas lights e na hora da possível intimidade, ele procura aquele corpo que mais ama, o seu próprio. Pequena fase, Adão tem consciência. Seria porque tudo e todos estão tão desinteressantes, e porque uma balada pode se tornar previsível e entediante como um velório. Nada como um dia após o outro, afinal essa fase só começou a poucos dias. Adão vai até uma loja de quadros, molduras, procura por um espelho maior. Quando de repente se depara com o reflexo do homem de sua vida. Ele mesmo, Adão. Ah! Não!

 



Escrito por C. P. às 20h28
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O Cigarro e o Formigo

As memórias de Adão seguem assim como as estações do ano, às vezes atrasadas, em outras antecipadas e atrapalhadas. Adão acorda e sente que o frio chegou entre dias de calor, caro leitor. O frio trás os resfriados inoportunos, mas deixam todos mais elegantes, hora de deixar o chope de lado e se lembrar do bom vinho, não necessariamente bom, apenas bom. Adão pensa nos momentos de aconchego, momento de ficar mais caseiro, querer ficar mais na toca. A velha história da formiga que trabalhou no verão para descansar no inverno enquanto a cigarra louca somente cantava e curtia a farra. Se fosse uma história gay o Formigo receberia com todo o conforto o Cigarro, que sussurraria canções em suas antenas embaixo do  minúsculo cobertor. Adão não caçou nada duradouro no verão, não estocou, não tem o que desfrutar no inverno em sua toca. Então, Adão corre para o que nunca gostou, a caça virtual, tão fria quanto um rigoroso inverno que ainda não veio e tão distante e improvável quanto o futuro incerto. Enquanto o Cigarro não canta em sua porta, abre um vinho e acende um cigarro. Uma mensagem chega de um site de encontros, um possível Adão de outro estado virá a sua metrópole e quer um encontro. Adão se sente no paraíso enquanto fotografa uma nova coleção outono/inverno de casacos.




Escrito por C. P. às 21h17
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Amor & Dor

O que é o amor, caro leitor? Se não mais do que dor e assim por diante...

Impossível degustar a maciez e fragrância da rosa sem tocar seus espinhos. Ah! Que piegas! Todos nós não passamos incólumes ao romantismo, como Adão poderia? Adão, assim como todo cidAdão está sempre atrás do amor. Podemos amar um peixinho no aquário, um hamster na gaiola, um cão, um primo, um irmão. Mas a dor está sempre associada. Num belo dia o peixinho pula do aquário, o hamster acorda durinho, seu cão foge, o primo se muda, chega! Adão não desvincula a dor do amor, e você querido leitor? Consegue amar sem levar aquela mordida ou um bom tapinha, um puxãozinho nos cabelos mesmo curtos? Porém, não suporta a dor do pé na bunda ou a dor de cotovelo. Há quem diga que dói mais terminar do que ser exterminado numa relação. Seria por isso que há clubes de sadomasoquismo, a dor sublima o amor? Liberta, leva a redenção? Adão anda pelas ruas da cidade e pensa na frase de Caetano, - cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é – porém ele pensa em outra do mesmo – Quero que pinte um amor Bethânia, Steve Wonder, Andaluz. Segundo um amigo de Adão, Caetano não quis dizer coisa nenhuma com isso, um amor cego, talvez? Adão não se convence e tenta decifrar o enigma. Decifre-me ou te devoro, disse a esfinge moderninha num outdoor! É possível viver um amor sem dor? Responda Marquês de Sade ou Masoch! Adão segue por aí sem saber o que vai fotografar, sem saber onde quer chegar. Enquanto curte a ressaca do porre e a ressaca do mar revolto dentro de si, aquela dos olhos de Capitu. Atravessa a avenida e olhando para um Pet Shop decide:

 - Vou adquirir um hamster.

 



Escrito por C. P. às 18h07
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Embriagay

 

Para encarar de perto e enfrentar com todo furor, meu caro leitor, nada melhor que as drogas licitas. Adão sempre viajou sem precisar tirar os pés do chão, então nunca gostou de substâncias que roubassem seu raciocínio. Mas algo que apenas desfoque a lente da realidade, certo impressionismo, não precisa de surrealismo, não na boemia. Adão dentro do Red Hell, tenta ser feliz, tenta ser atraente, tenta ser gente e atrair gente. Nada melhor do que ser comunicativo/simpático/cativante. Muitos substituem tudo isso por uma boa bombada natural ou artificial nos músculos. Afinal, hoje em dia, todos correm atrás de bunda e o cérebro tornou-se meio obsoleto. Mas Adão não desiste de inteligentes gostosinhos ou vice versa. Para poder ser transformar em tudo isso, Adão não da um giro do tipo Adão Maravilha, não arranca a roupa revelando um possível uniforme por baixo, do tipo Super Adão. Apenas apela para o límpido e cristalino álcool e algumas quantidades de alcatrão, nicotina e milhares de substâncias tóxicas que vem no tal pacote. Sem qualquer apologia as drogas chamadas de licitas, muito pelo contrario, Adão ainda pretende ser demasiadamente zen, zen bebida, zen cigarro, zen stress, mas ainda não galgou tal plenitude. O problema é que Adão as vezes perde o controle e do Paraíso contemporâneo passa para o Inferno moderninho em segundos e insiste em tentar sentar no colo do capeta. Por que, que a gente é assim, dizia o poeta Cazuza? No dia seguinte, possíveis amores que se  vão com as brumas, possíveis arrependimentos. Mas como dizia uma certa amiga – Não olhe para trás! Se não vira estátua de sal, referindo-se a tal mulher de Lot diante de Sodoma e Gomorra que se desfazia. È aí que Adão pensa – Ah! Sodoma e Gomorra, devia ser tão bom! "A noite nunca tem fim, é claro que eu to afim".

 

 

 



Escrito por C. P. às 20h28
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Adão, Comida de Televisão

 

Adão vive literalmente da fotografia, fotografar é mais que sua vida, é seu alimento, sua alma. Às vezes se deixa consumir, se deixa ser engolido pelas imagens. Adão, comida de televisão, comido pelos outdoors, cartazes dos cinemas, propagandas da TV, páginas e páginas de revistas, seduções, paixões e conquistas. Sorria! Todos nós estamos sendo filmados, nus ou vestidos. Num reallity show, todo tempo, a toda hora, vorazmente! Adão se vê nu em um paraíso de TVs, não são macieiras, laranjeiras ou pereiras, nem parreiras. São pés de notebooks, televisores, monitores, as pencas e etc. Espalham imagens, desejos, sexo. Parado num engarrafamento olha pro outdoor e vê desejo. Pronto, aquela marca o comprou. Adão vendeu sua alma para um shopping. Há milhares de seitas por aí vendendo o paraíso. Mas Adão prefere esse com jeitinho de inferno entre clicks e flashs ou entre dicks and fleshs. Sob focos e luzes, Adão se perde nas encruzilhadas da metropole na calada da noite. Está perdido na porta de um possível inferninho de quinta chamado Red Hell. Nada mais caliente, Adão entra e assiste, no palco um dançarino seminu fazendo um número com maçãs e uma serpente. Enquanto isso, várias TVs exibem o tal show entre rostos de freqüentadores. Adão vê sua própria face, perdido entre olhares. Fire... fire... enquanto isso ouve aquele sucesso - Disco Inferno.

 



Escrito por Cesar Póvero às 18h40
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Nas Nuvens

Ah! Memórias inesquecíveis! Adão retorna das férias, volta como um monge budista, férias sem pensar em outro Adão. Um mês em contato com o universo, o infinito, a natureza, um mês procurando seu próprio eu. Uma amiga curiosa perguntou por telefone, mas você encontrou seu eu, ou não, se você não for você, não irei te reconhecer no aeroporto, nem irei buscar um estranho. Adão se acomodou em sua poltrona e antes da decolagem agradeceu ao céu por ter conseguido sua meta, não fazer sexo durante as tais férias, queria sentir-se puro com tal abstinência. Mal havia acabado de pensar, quando ao seu lado, sentou um outro Adão que o fez perdeu o ar sem turbulência. Logo o avião decolou e seu esnobe companheiro, logo foi se entregando devido o medo das alturas. Nada mais natural do que consolá-lo. Pois foi o que nosso protagonista fez. Logo, as mãos se apertavam, então passavam para as coxas durante certos conselhos para que se acalmasse. Logo, Adão o levava ao banheiro para lavar o rosto e molhar a nuca. A porta se fechou e ambos foram para as alturas. Sentiram-se anjos profanos fazendo sexo nas nuvens. Despediram-se no aeroporto como em um bom filme clássico. Enquanto sua amiga lhe parabenizava pela castidade, ele gargalhava ao contar que a promessa havia sido quebrada nos últimos instantes. Ela não teve dúvida e chegando em sua casa, colocou um cd para tocar – Belchior - cantando, foi com medo de avião, que eu segurei na sua mão... Riram e cantaram juntos. Mas caro leitor, por que será que os amores mais impossíveis sempre parecem os ideais? Será que é porque sabemos que são inatingíveis?



Escrito por Cesar Póvero às 01h18
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Fragrâncias

Cheiro, odor, aroma, perfume, ou seja lá o que for, meu caro leitor. Adão não conseguiu sentir o cheiro do natal como disse em sua memória anterior, mas sente cheiro de ano bom. Sim, é importante mentalizar desde o inicio e saber o que é que se quer. Adão passou sua primeira madrugada, ou melhor, suas primeiras horas do primeiro dia, beijando intensamente até perder o fôlego. Bom sinal? Tudo é possível. O importante é começar uma nova página, um novo dia de um novo ano novo. Adão sente quase o mesmo prazer de quando iniciava a primeira linha, da primeira página no caderno novo em primeiro dia de aula. Adão pensa muito nisso enquanto vai fotografar para uma campanha de um novo perfume, antes de ir, se inspira nas mais famosas. Ah!!!! Bons aromas...

 



Escrito por Cesar Póvero às 17h25
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De Saco Cheio

Ufa! Até que enfim, tudo chega ao fim! O meu amigo leitor deve ter notado certa ausência de tais memórias que deveriam ser freqüentes, mas... Saco vazio não para de pé, e sendo assim, Adão trabalhou mais do que nunca neste final de ano. Fotografou tantos produtos em tantas campanhas natalinas, mas ficou procurando o natal, aquele aroma de natal, um clima de natal no ar. Ficou de saco na lua. Será que é porque a infância e a adolescência estão cada vez mais distantes? Adão sente-se tão frio como um boneco de neve no meio da alva paisagem gélida. Ou talvez nos tornemos cada vez mais maduros e contemporâneos no paraíso de concreto, onde não há tempo ou sensibilidade para tal em corações de cimento? Cada vez mais, as vitrines se enfeitam mais cedo, as propagandas também surgem muito antes. E o sentimento fica no fundo do saco, ou sei lá onde. O Papai Noel, não perde seu encanto, ainda representa a bondade, é a materialização dos desejos de todos nós, mesmo para os marmanjos. A nossa esperança está dentro do seu saco, que dali saia tudo o que precisamos e queremos. É difícil tirar energia de dentro de si para se iluminar e competir com tantos pisca-piscas clareando as noites nas ruas. Apesar de tudo a cidade está iluminada, um outro ano vem por aí. E seu coração está iluminado, sua mente, sua alma? É o momento de mudar as ações consigo e com os outros, rever os erros e se deixar iluminar de fora para dentro, ou de dentro para fora. ninguém precisa comer lâmpada para que isso ocorra. Que todos estejam de saco cheio, no bom sentido, cheio de fartura! Adão se prepara para o brinde, que seja um estouro e que o restante idem. Fogos explodem sobre o céu do paraíso.

 

Feliz 2009!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Escrito por Cesar Póvero às 15h11
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Catecismo

 

Caro leitor, por que não nos ensinam na escola ou no catecismo sobre as intempéries da vida? Os amores não correspondidos, as obsessões que criamos e desenvolvemos sobre objetos inanimados e animados como o homem. Desejos insanos e incontroláveis. Por que não nos explicam sobre a valorização do tempo e do espaço que temos? Não nos falam que de repente - vai tudo muito rápido e nos sentimos a lebre dorminhoca e pretensiosa que perdeu a corrida para a serena tartaruga/tempo. Não nos avisam sobre a grande importância das escolhas e decisões, do caminho certo, da porta exata para que não se ande em círculos. Adão ainda se vê preso dentro do paraíso comtemporâneo das tentações e mesmices. Na verdade, a serpente, não vista como símbolo fálico, ou a maçã, são a eterna representação da tentação fútil, do fruto proibido que sempre expulsa seu Adão de um algo mais. Então, Adão se vê andando em círculos, num caminho vicioso. É quando se lembra que nunca quis ouvir muito os conselhos dos caretas que diziam ter muita experiência, mas tinham cara de quem nunca aproveitou muito a vida. Adão sempre achou que veio ao mundo para gozar... as boas coisas da vida. Talvez as metáforas da bíblia, como a que se refere ao verdadeiro/falso paraíso, fossem a chave de todos os segredos da vida. Adão nu, senta-se na poltrona, morde uma maçã bem vermelha, recém saída do supermercado e decide: - Acho que vou voltar a rezar.



Escrito por Cesar Póvero às 17h58
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Cirque du Sexyleil

 

Em fases mornas onde há somente brisa e ausência de possíveis furacões, nada melhor do que provocar twisters. Do que falo? Deve estar se perguntando, o meu querido leitor? Falo de quando precisamos ir a luta e fazer acontecer, nas amizades, no trabalho, nas finanças e não seria diferente no sexo. Adão cansado de pensar num provável caminho para dois, que demora a chegar, saiu a procura de aventuras. Quando não se está afim de passar por uma seleção de entrevistas, testes e dinâmicas, se vai diretamente ao assunto e se compra, ou melhor, se aluga o produto desejado. Como um admirador da beleza plástica, e um fotógrafo  incansavelmente apaixonado pela anatomia masculina, Adão entrou num site de garotos de programa e escolheu seu Adônis ou Apollo, entre três, se decidiu pelo último, após ouvir a voz e as promessas de que seria um espetáculo em quatro paredes. Certo tempo depois, sua encomenda chegou, Adão desembrulhou e logo pôde conferir que tudo era verdade, todas as medidas e todas as performances. Não se lembrou de ter suado tanto, ter feito tanto e de seu corpo ser tão explorado. Seu apartamento em instantes tornou-se um Cirque du Soleil. O jovem de corpo escultural e nu cuspia fogo. Adão em piruetas ia do quarto para a sala, enquanto o outro fazia malabarismo com pepinos. De lados opostos cada um saltava sobre a sala de estar indo parar sobre a mesa de jantar, enquanto o outro pendurava-se no lustre. Adão tinha os olhos faiscantes de prazer reluzindo em neons. Adão o engolidor de espadas, sorria enquanto o garoto aprendiz de mágico lhe cortava ao meio e separava seu corpo em dois ao som da platéia que aplaudia e ovacionava de pé e em coro. Ambos comemoravam pulando sobre a cama elástica. Exageros a parte, Adão não se arrependeu do pequeno investimento, quando bem escolhido vale mais do que experiências frustrantes que se arrastam por semanas e não levam a nada. Seria este o futuro de Adão e dos Adãos? Extravasado e sorrindo, no dia seguinte saiu para fotografar malhas e sungas, nada melhor do que um circo como cenário. Não é mesmo? Desde criança, Adão não conseguia desgrudar os olhos das malhas dos trapezistas. Respeitável público...



Escrito por Cesar Póvero às 17h53
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Caminho para Dois

O que é o paraíso, caro leitor? Onde está? Será que está ao alcance de todos? Ou será que estamos mais perto do caos do Apocalipse? Adão quer, todos querem, mas será possível? O planeta parece cada vez mais quente, as estações parecem terem se drogado de vez, acontecendo às vezes, todas num mesmo dia. A felicidade parece promessa de político demagogo, que nunca cumpre. Na verdade, nunca ninguém prometeu, nós é que a buscamos incessantemente, intensamente. Todas as construtoras oferecem condomínios, verdadeiros paraísos fakes. Lá você mora, faz as compras, se diverte, usa a sauna, as piscinas, enfim, não sai de casa. - Prenda-se no paraíso, condene-se ao paraíso eterno! Os produtos de beleza e as clínicas prometem a beleza eterna. E o amor, quem o garante, os heterossexuais ainda se casam vorazmente em meio a toneladas de buquês arremessados a distância. Eles procuram a beleza eterna, “o felizes para sempre” em um paraíso prisão. E os gays, o que procuram? Adão nunca se esquece da velha piada onde se diz que o segundo encontro de amor entre duas lésbicas, acontece com a mudança das duas para uma nova casa ou uma se mudando para a casa da outra. E o segundo encontro de dois homens acontece assim... que segundo encontro? Não há segundo encontro. Adão tenta não pensar, apenas rir desta piada, mas entre maçãs e serpentes, as vezes ainda sonha em descansar a sombra de uma macieira com um outro Adão, sem “felizes para sempre”, sem beleza eterna e sem aglomerações de condomínios fechados. Apenas pensa em um dia, tentar olhar junto com alguém, por algum tempo em uma mesma direção. Um mesmo caminho para dois, por tempo indeterminado. Será?

 

 

 



Escrito por Cesar Póvero às 01h01
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Outros Acidentes do Paraíso

 

Após uma breve interrupção nas Memórias de Adão, retomo de onde havia parado. Refresco a lembrança do caro leitor, localizando-o que nosso protagonista havia sonhado novamente com o paraíso, onde conversava com um outro Adão embaixo da macieira. Quando Adão acordou, dirigiu-se para o supermercado e aí sim descobriu o grande prazer das compras. Fazia tempo que ele deixava para a empregada esta incumbência. Agora não mais, ainda mais no horário de pica, ou melhor, de pico. Adão viu que vários gays saem do trabalho e vão as compras.Tão estranho paquerar em um supermercado! Mas ninguém parece perceber o que realmente acontece no mundo de Adão entre gôndolas. Logo Adão viu um nerd lhe lançando olhares, o que é melhor, alguém inédito, alguém em que nunca havia colocado os olhos. Mas como chegar em um homem no supermercado? Adão tentou se concentrar nas compras e desbravou os corredores, afinal precisava reabastecer a despensa. De repente, não mais que de repente, por instinto, lembrou-se do sonho e do desejo por maçãs. Saiu em disparada discreta com seu carrinho afoito em direção as maçãs, que logicamente não estariam em uma macieira. Os olhos de Adão brilharam ao colocar os olhos em maçãs tão vermelhas e apetitosas e tascou a mão. Eis que de repente, não mais que de repente, sua mão não acertou a maçã e sim outra mão.

 

 

Quando virou-se, era o nerd que sorriu por trás dos óculos. Após um sorriso sem graça em dose dupla, começaram a conversar sobre o hábito das compras do homem solteiro contemporâneo. Acabaram o assunto no paraíso particular de Adão, ambos como vieram ao paraíso, comendo maçãs e bebendo vinho. Ambas as serpentes se encantaram, ninguém foi expulso, o que os separa é apenas a prórpria independência ou a certeza de que aquele não era o Adão certo, no paraíso certo, na hora certa. Assim como maçãs,  homens precisam ser escolhidos, ainda mais quando você quer saborear sua companhia por muito tempo, não pode ser qualquer um. Dia desses se esbarraram na rua e trocaram tímidos sorrisos de corpos que por momentos foram tão íntimos. Enfim, outros acidentes do paraíso.



Escrito por Cesar Póvero às 15h06
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Olimpíadas de Adão - Último Capítulo 

 

 

Encerramento - Beijing, Beijing, Pau, Pau

 

Adão fatigou-se, como é cansativo participar de uma Olimpíada, mesmo que seja somente em sua fantasia. Depois de despertar os deuses da Antiga Grécia e colocá-los para trabalhar, depois de estimular os gladiadores para batalhas e comparar seu dia-a-dia de um homem gay contemporâneo em seu paraíso olímpico de cada dia.

 

 

Atravessando fronteiras e vencendo obstáculos e competições como - motociclismo, patins, futebol, luta, natação, e algo mais. Vale lembrar caro leitor que o importante não é vencer e sim não desistir e sair de cabeça erguida, por mais clichê que seja a frase. Adão se despede da campanha de artigos esportivos com tema olimpico, o que o inspirou tanto em suas lentes de fotógrafo.

 

 

Adão, de tão eclético que é, sabe admirar todas as belezas, todas as raças, cores, credos, e a bela diversidade da vida no planeta. Então antes de por os deuses gregos para dormirem, passa pela muralha da China, pelos olhares do oriente, pela Terra de Wong Kar-Wai, seu cineasta chinês predileto que filmou Happy Forever, dois chineses gays em Buenos Aires, nada mais diversificado. E como não lembrar de Kaige Chen de Adeus Minha Concubina, um triângulo amoroso inesquecível.

 

 

Então, Adão aproveita para homenagear, mesmo que apenas dentro de seus olhos, aqueles que sediaram a Olimpíada, tinham que passar por aqui, por essas memórias. Então, Adão vai para um restaurante chinês, enquanto saboreia seu seu Qing Tang Yu Wan, admira uma mesa de orientais jovens e descolados. Adão sempre quis provar esse sabor, mais o máximo que conseguiu foi um beijo num fim de noite.

 

 

Afinal, não importa comer de pauzinhos – hashi - ou não, o que importa realmente é saber saborear com verdadeira intensidade de apreciar e conhecer uma outra cultura, afinal nos tão pequenos biscoitos da sorte, podem se esconder grandes surpresas, bons segredos. Desta forma, nosso protagonista encerra tardiamente, antes tarde do que nunca, esta breve interrupção na linha do tempo das Memórias de Adão. Pronto! Agora tudo pode voltar ao que era antes... 



Escrito por Cesar Póvero às 20h39
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Olimpíadas de Adão - 12o Capítulo

 

 

Modalidade – Motociclismo

 

Tudo é permitido nas Olimpíadas de Adão, inclusive começar e acabar com atraso. Também se pode voar sobre duas rodas, viajar sobre duas rodas, na alta velocidade do tempo, na velocidade do paraíso. Adão sempre acreditou que, o que está sobre duas rodas, com tanto peso e em alta velocidade, não é para permanecer em pé. Mas o que importa é que o homem está sempre desafiando o perigo e a gravidade de todas as coisas. Como praticar motociclismo em cima da mesa? Bem criativo, o rapaz. Diante desta foto, Adão, já imagina a mãe do atleta chegando em casa e gritando:

- Menino! Desse daí! Você vai acabar quebrando meus cristais! Guarda esse seu brinquedo na garagem e vê se bota uma roupa, vai acabar ficando gripado!

Para os homens, aviões, carros e motos velozes, sempre foram seus brinquedos prediletos, para alguns, até mais do que o sexo, a velocidade sempre foi sinônimo de liberdade, principalmente sobre duas rodas, como no filme Easy Rider. Aliás, caro leitor! Reparou, que bela roda, hein?

 

 



Escrito por Cesar Póvero às 01h33
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Olimpíadas de Adão - 11o Capítulo

 

 

 

Modalidade - Rugby

 

Adão ficou interessadíssimo em Rugby, primeiro pelas fotos fantásticas da série - Deuses do Estádio - Dieux du Stade - nos famosos calendários, depois pelas regras do jogo, tão parecidas quanto as da vida de um Adão comtemporãneo. O jogo ocorre num campo de relva, de dimensões semelhantes às de um campo de futebol.

 

 

 

Até aí, tudo bem. A bola é de couro e de formato oval, maior e mais pesada que uma bola de futebol americano e sem costura. Detalhe este, para que o leitor se instrua um pouco, assim como eu nessa pesquisa. Não confunda! Rugby não é futebol americano! Eles jogam de short e camiseta e não com aquelas ombreiras enormes, nem com manga longa e aquela calça coladinha. Cada equipe é constituída por 15 jogadores.

 

 

Oras bolas! O objetivo é colocar a bola no in goal adversário. O in goal é a área localizada imediatamente após a linha de fundo. Leram isso? Um, colocar no in goal do outro, após a linha de fundo! Muito interessante, será que é rugby, ou um darkroom? É sempre necessário colocar a bola no chão. Ai, ai! Não serve apenas entrar com a bola na mão ou atirá-la ao solo. Quanta violência!

 

 

Ai, ai, que masoquismo! Pode-se rematar a bola ou passá-la com as mãos. Entendi, já vi esse jogo antes. O ato de derrubar o outro jogador, chama-se placagem ou placar. Só é permitido derrubar o jogador que estiver na posse da bola. O jogo é interrompido quando a bola sai pela lateral, quando é cometida alguma infração ou quando é marcado ensaio. Viram, é só estar com a bola na mão, alguém vem e te derruba! E você se achando a bola da vez, a última bolacha do pacote.

 

 

As formações básicas são... - Mele - 8 jogadores de cada lado e a bola é introduzida no meio da formação. Viram isso? Saindo para um dos lados. Touche - é o lateral, uma fila de jogadores de cada lado, a bola é lançada no meio e disputada. Sempre muito disputada! Ruck - durante o jogo, os jogadores passam por cima da bola imóvel no solo. Maul - durante o jogo, jogadores disputam bola em pé. Que baixaria, esse jogo! Adão já se cansou e suou, só de ler essas regras, mas não se pode negar que são deverás excitantes, não é? agora quando Adão sai para a balada, diz que vai arrasar, vai jogar rugby. Então leitor! Já tinha visto tantas bolas de uma vez?



Escrito por Cesar Póvero às 21h05
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