Abra a Boca e Feche os Olhos!
Não leitor! Nem sempre é possível satisfazer-se com brinquedos, ilusões e fantasias. Adão adentrou sua casa querendo ter algo mais que um bicho de pelúcia embaixo do braço. Esses desejos surgem de repente, não há tempo de procurar ou de planejar. Na hora da fome, se corre para uma loja de conveniência mais próxima, numa outra necessidade fisiológica se corre para o poste mais próximo. Na hora da vontade de amar, o que se faz? Não necessariamente só sexo, mas pequenos jogos de sedução regados com algumas taças de vinho. Além de jogos verbais, sensações que vêem da boca, depois... cair de boca. Tudo isso demanda tempo. Abrir uma temporada de caça? Um safári de sedução e apanhar a presa ideal? Fazer uma rápida consulta a agenda? Flashback! Esses pensamentos povoaram a mente de Adão por segundos, antes que ele acendesse a luz, mas ainda atrás da porta. Assim desejou que alguém o dominasse por trás, rosto oculto, com clima de amor bandido, com hálito quente e sussurrado. Talvez o desconhecido estivesse todo de preto como um ninja, ou em peles de animais como um bárbaro. O que um bárbaro estaria fazendo ali? Bem, se é para imaginar, vale tudo. O corpo desconhecido o pressionaria, e imobilizado por braços fortes, ouviria uma frase sacana que nos remete as travessuras da infância. – Abra a boca e feche os olhos! Adão não hesitou e se jogou... no chão.
Escrito por Cesar Póvero às 13h11
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