Prenda-me Se For Capaz!

 

 

           

            Por que ninguém quer se prender? É a pergunta que Adão se fez, querido leitor. Fez assim que pegou um cartão com o telefone do que poderia ser um segundo encontro, mas não poderia dizer isso ao tal inexperiente rapaz. Adão nunca pedia o número do telefone quando sentia que não renderia um próximo capítulo, e esse era o caso. Nesse momento pôde sentir o que já havia passado nas mãos de outros. A famosa frase musical, paixão antiga sempre mexe com a gente. Meses atrás, seu coração havia disparado, pela última vez. Ele tinha tudo para ser o candidato ideal e disse tudo o que Adão queria ouvir, mas quando a coisa começou a esquentar escapuliu como um peixe ensaboado. Como entender alguém assim, se as declarações eram tão explicitas e recíprocas? Adão tentou não ser pegajoso, nem frio demais, mas nada adiantou. Agora também não conseguia encontrar alguém que fosse esse portal do paraíso. Sendo assim, rasgou o cartão logo que chegou em casa após mais uma balada dos “Adões” perdidos. Não adiantava tentar com um novo Adão inexperiente, era preciso algo mais, como sinos tocando ou algo do tipo. Não sentia mais nada pela tal paixão antiga, até já o havia encontrado na rua e sentido tamanha indiferença ou despeito, o que o obrigou a não olhar na cara do infeliz. Afinal é preciso saber o que se quer! Para ter alguém covarde do lado, não é melhor ficar sozinho? Adão não queria se prender, como o mundo a sua volta, mas andava sentindo a falta de ter alguém para dividir sonhos, além de ter maçã e serpente todos os dias. O problema é que essa coisa vicia. Aí sim, poder brincar de Almodóvar e dizer - Ata-me!

 

 

 

 



Escrito por Cesar Póvero às 20h53
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