Entrando em Campo
Mais do que nunca, Adão se sentia um jogador. Infelizmente, caro leitor. A incansável busca eterna. Por mais que Adão não quisesse se prender a alguém, como a maioria, procurava por algo temporário. Assim como quem precisa de um emprego, se não tem o fixo, ataca de temporário. Alguns preferem viver eternamente como autônomos, trabalhando como freelancers. Adão não esperava nada, mas se cansava do filme reprise, daqueles que o canal de TV já exibiu em todos os horários possíveis todos os anos. Aquela novelinha chata do tipo: Quem é você? Qual seu signo? De onde veio? Onde mora? O que faz? Um dia numa certa balada, Adão cansado desse “nem caga, nem desocupa a moita”, disse simplesmente – Não faço nada. – Foi chamado pelo outro, de bêbado. Por que alguém tem sempre que fazer alguma coisa? Pensou Adão. E por que, ter sempre que contar a mesma lorota, quando se sabe que o máximo que vai rolar é aquela transinha básica, onde um entra com o bruto e o outro fica com o líquido. (essa é bem velhinha). Apesar dos pesares desde que sua vida começou a melhorar no aspecto profissional, uma coisa puxa a outra, o paraíso pareceu notar mais a presença de Adão. Agora mais notado, mais beijado, mais desejado, Adão nem se importava de estar se sentindo novamente entrando em campo, para mais uma partida. Afinal, de qualquer jeito alguém iria ficar com as bolas. Num jogo entre homens, todos saem felizes, os dois times, não existem vencidos ou vencedores, bastaria se prevenir e não se apaixonar, bola é o que não falta.
Escrito por Cesar Póvero às 22h57
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