 |
|
|

Acidentes no Paraíso
As Memórias de Adão, falam do Adão contemporâneo que há dentro de cada um nós, homens gays de hoje, cheios de dúvidas e desejos. É assim, querido leitor, que começo mais este fragmento do dia-a-dia, de nosso Adão. Foi quando este, novamente mergulhou em sonhos, aqueles desejos do subconsciente que se projetam, como que em tela de cinema enquanto dormimos e tentamos nos desligar da loucura deste mundo moderno e cheio de tentações-injustiças-consumismos-poesia e - brutal realidade. Sendo assim, Adão se viu mais uma vez caminhando pelo paraíso, não era seu apartamento, o qual define como paraíso particular, este era assim: Em clima de fim de tarde ao por do sol em um crepúsculo azulado. Caminhava nosso protagonista nu, por um campo verdejante em direção da tal árvore, a qual, não sabia se tratar de uma macieira, ali não resistiu e tocou, acariciou uma delas, sua casca vermelha e tentadora. Naquele frescor irresistível, não hesitou puxou-a do galho e a mordeu vorazmente, enquanto degustava, caminhava em volta da árvore e se depara com outro degustador, para quem ele se dirige e diz:
- Você vem sempre aqui?
- Sim, sempre que preciso reabastecer a dispensa.
- Como assim, você disse “dispensa”? – Adão estranhou o papo moderno do rapaz.
- Isso, o local em que guardamos os mantimentos, as compras, o estoque da cozinha, entendeu?
Logo, Adão confirmou que tudo aquilo se tratava de um sonho e resolveu atacar, antes que acordasse – Então, vamos dar uma volta e comer... maçã?
Ambos se olharam olho por olho, e bocas, dente por dente, largaram as maçãs, e suas serpentes de pé, também se encararam, quase se enroscaram.
- A minha ou a sua? No seu paraíso ou no meu?
Adão não se conformou, até nos sonhos existe burocracia. Acordou e não teve dúvida, se aprontou e foi às compras, primeiro item da lista – MAÇÃS. Mas antes de sair na rua, precisou esperar que sua serpente desencantasse por debaixo do jeans. Enfim, as vezes na metrópole de Adão, olhares se defrontam, corpos em movimento se chocam, simples acidentes paradisíacos (continua...).
Escrito por Cesar Póvero às 11h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|

Stabulum – parte II
Os Garanhões
Continuando de onde parei, caro leitor, Adão se frustrou na nova empreitada de potros e saiu para a balada. Já, alguns pangarés permanecem potros para o resto de suas vidas. Lá, foi cantado por um cinqüentão, que Adão pensou estar paquerando seu amigo. Adão cansado das investidas em garotos que não sabem o que querem, encontrou no coroa, um certo porto seguro, não financeiro, mas um homem experiente e que já tinha um filho de uma ex-esposa. Nada mais maduro. Após ceder a cantada, conversarem a noite toda. O pior foi confirmar que o pangaré não sabia beijar, além do que, o tal ficou bêbado e acabou caindo e culpando Adão por não ajudá-lo. – Não teria caído se não estivesse bêbado e com outra lata cheia na mão. Provando mais do que nunca sua imaturidade cinqüentona, arremessou a lata cheia contra uma parede. Quis se exibir de seu status dizendo o que tinha e o que fazia, mas provou não ter classe nenhuma. Adão não conseguiu dormir na manhã do dia seguinte, com o dito cujo disparando o celular querendo uma segunda chance. Aqui vai a pergunta... por que só quem não interessa, nos procura no dia seguinte? Com você, leitor, também é assim? Adão mandou mensagem ao pangaré que em breve lhe convidaria para ir a sua casa. Enfim, Adão nunca mais o viu, ambos eram de fora, o potro de certa forma maduro e o garanhão/pangaré de certa forma infantil. Quem brinca com o netinho, ou com o vovô, pode amanhecer mijado? Sem preconceitos, Adão só espera que independente de idade, seres adultos não brinquem de coisa séria, brincadeiras nas horas certas e lugares certos. Se não, Adão da um coice, relincha e vai pastar em outros campos, sempre a procura do garanhão ideal. Quando de repente o celular tocou e Adão soube que seu próximo trabalho seria fotografar cavalos para uma revista de equitação. Hello Silver!!!
Escrito por Cesar Póvero às 18h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|

Stabulum - parte I
Os Potros
De repente, um potrinho torna-se um garanhão, assim como aqueles prédios que surgem do nada, do chão, da noite para o dia. Foi isso, leitor, o que Adão deduziu ao se deparar com a foto do aprendiz de bruxo, Harry Potter. Fazia meses que ele tinha visto a tal foto e toda a polêmica em torno do fato de Daniel Radcliffe fazer um nu no teatro, de acordo com o personagem do psicológico espetáculo Equus. Por que as pessoas não querem admitir que um dia um potro se torna garanhão? E por que um nu frontal ofende tanto? Se todos vieram de um pinto, por que não encará-lo com total normalidade, afinal, um pinto é apenas um pinto, nada além disso. Ainda mais que a tal polêmica é em cima de uma serpente adormecida, serpentes adormecidas não fazem nenhum mal. Só é bom não se esquecer que, se animá-la, pode acordar e te dar o bote. O que fez Adão, se lembrar desta foto, que tanto admirou pela beleza, poesia e ousadia, foi seu mais novo assistente de fotografia, aos 21 anos, com tatuagens, alargador e piercings. Ainda potro, sutilmente garanhãozinho, cheio de rebeldia, vitalidade, com certa maturidade, mas se dizia casado com outro e fiel. Porém falava e supunha traição o tempo todo, dizia amar seu partner, apesar de se decepcionar de várias formas. Talvez envolvesse certa dependência, já que moravam juntos e o outro que era o mais velho, parecia bancar tudo. O mais interessante é que com seus 21 anos, encarava suas responsabilidades e aparentava uns 18. Como saber quando eles deixam de ser potros? Os músculos mesmo quando magros, se definem, o corpo se delineia e os pelos se espalham. Você toma aquele susto. Seu assistente de fotografia acabou indo embora da cidade por problemas de família ou com o respectivo marido. Foi aí que, Adão decidiu se jogar... atrás de loucurinhas, como se diz - "Na Lingua do Ju" (www.nalinguadoju.blogspot.com).
Foi jogar o laço atrás de garanhões, não de potros ou bruxinhos que enfeitiçam. (continua...)
Escrito por Cesar Póvero às 18h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|

Pit Stop
Logo após Adão fotografar uma nova linha de bolsas para viagem , nada tão Louis Vuitton, mas bolsas, o celular disparou. Quem era, caro leitor? Um love affair do passado, na verdade de um carnaval que passou. Já fazia três anos que não se viviam, conectados apenas por alguns raros e-mails e visitinhas no Orkut. Sendo assim, Adão ainda se lembrava do tórrido romance de apenas duas noites levadas até os finalmentes - barba, bigode e cabelo e costeletas. Em rota de viagem - o affair estava fora do país - passaria para visitar Adão. Após perguntinhas do tipo – Está namorando? O que anda fazendo? Adão se sentiu confortado de ainda ser desejado pelo dito cujo, anos depois, foi bom para curar uma recente dor de cotovelo que o havia pegado de jeito. Dias depois, ambos em seus óculos escuros, se encontram, o tempo havia sido favorável e ele continuava gato, e numa versão gay de Casablanca de trás para frente, eles se encontram no aeroporto e vão para o paraíso particular de Adão. O forasteiro não quis beber, não quis comer, o papo havia sido somente aquele do trajeto até ali, perguntas básicas. Quando Adão percebeu, ele já estava em sua cama e preocupado se sua barba por fazer, o machucaria. Adão se fez de desentendido, afinal nada sexual havia sido combinado. Em segundos roupas voavam pelo quarto, gemidos, beijos, prazer, e algumas dorzinhas, o forasteiro era um tanto sádico e Adão não se lembrava mais, porém controlável. Ambos estavam impedidos organicamente, se é que me entendem, afinal na vida gay a região do esgoto, por acaso é a área de lazer. Ninguém foi pro playground sentar na gangorra. Após preliminares plus/advanced – barba, bigode e uma aparada nas costeletas - se despediram em frente ao táxi. Antes de partir o forasteiro se defendeu, foi apenas um Pit Stop. O táxi partiu, levando o forasteiro, estrada a fora. Um hematoma próximo ao mamilo ficou, Adão respirou fundo e viu que o melhor da festa, é esperar por ela, não havia mais nada, apenas desejo, desde aquele carnaval. Adão não sabia se ainda queria fazer a linha mecânico de estrada e trocar o óleo de quem chega e fazer um balanceamento. Mas tudo bem, enquanto ninguém atraca em seu porto, Adão viverá de Pit Stops. – Espere! Quem vem lá ao longe, em meio a poeira?
Escrito por Cesar Póvero às 06h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|

O Que Mais Me Dói!
Você escolheu errado o seu super-herói! Sabe do que falo, caro leitor? Falo das infelizes escolhas. Adão fotografa diariamente produtos pessoas e pessoas produtos, vários aguçam sua vontade de poder ter aquilo que vê no outdoor ou na TV. Mas será que eu suportaria ter aquilo todo dia? Adão logo descarta a hipótese. Tudo que é muito gostoso enjoa. Adão pensa no que vai conversar com o saradão entre uma transa e outra. Mas ao mesmo tempo vê tantos casais em silêncio em mesa de bar. Tanta gente acompanhada e feliz. Será que estão felizes mesmo, Adão se pergunta? Na rotina do dia-a-dia e entre quatro paredes ninguém sabe. Mesmo aquele casal feliz, belo e bem sucedido que sai sorrindo na capa da revista, fingindo que foge de um paparazzi. O que mais dói em Adão, é ver tantos casais e ele só. Ou sempre com uma fruta fresca, recém caída do pé, algumas maduras, outras que caíram do pé faz tempo e deram uma murchada e esfolada na casca. Afinal tem que variar, é bom ser eclético. O que alivia essa dor é ver o quanto algumas pessoas escolhem o herói errado, pura falta de auto-estima. Viver com alguém tem que ser sinônimo de parceria e prazer, não sofrimento, dor e incômodo. Adão nota que certas pessoas têm medo de ficarem sozinhas ou começarem tudo novamente no paraíso. A famosa e sábia frase - “Antes só do que mal acompanhado”. É triste ir para a cama com o Homem-Aranha e não subir pelas paredes. Afinal, Adão quer ser levado para a caverna de um homem solitário, ou adotar um garoto prodígio? Proteger ou ser protegido? Em certa altura da vida, independente de idade, cada um tem seu tempo distinto, cansa só proteger. O que se quer é ser levado para o esconderijo. Relembrando As Frenéticas - Mas o que mais me dói, mas o que mais me dói, você escolheu errado seu super-herói, ou heroína?

Escrito por Cesar Póvero às 21h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Entrando em Campo
Mais do que nunca, Adão se sentia um jogador. Infelizmente, caro leitor. A incansável busca eterna. Por mais que Adão não quisesse se prender a alguém, como a maioria, procurava por algo temporário. Assim como quem precisa de um emprego, se não tem o fixo, ataca de temporário. Alguns preferem viver eternamente como autônomos, trabalhando como freelancers. Adão não esperava nada, mas se cansava do filme reprise, daqueles que o canal de TV já exibiu em todos os horários possíveis todos os anos. Aquela novelinha chata do tipo: Quem é você? Qual seu signo? De onde veio? Onde mora? O que faz? Um dia numa certa balada, Adão cansado desse “nem caga, nem desocupa a moita”, disse simplesmente – Não faço nada. – Foi chamado pelo outro, de bêbado. Por que alguém tem sempre que fazer alguma coisa? Pensou Adão. E por que, ter sempre que contar a mesma lorota, quando se sabe que o máximo que vai rolar é aquela transinha básica, onde um entra com o bruto e o outro fica com o líquido. (essa é bem velhinha). Apesar dos pesares desde que sua vida começou a melhorar no aspecto profissional, uma coisa puxa a outra, o paraíso pareceu notar mais a presença de Adão. Agora mais notado, mais beijado, mais desejado, Adão nem se importava de estar se sentindo novamente entrando em campo, para mais uma partida. Afinal, de qualquer jeito alguém iria ficar com as bolas. Num jogo entre homens, todos saem felizes, os dois times, não existem vencidos ou vencedores, bastaria se prevenir e não se apaixonar, bola é o que não falta.
Escrito por Cesar Póvero às 22h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Prenda-me Se For Capaz!

Por que ninguém quer se prender? É a pergunta que Adão se fez, querido leitor. Fez assim que pegou um cartão com o telefone do que poderia ser um segundo encontro, mas não poderia dizer isso ao tal inexperiente rapaz. Adão nunca pedia o número do telefone quando sentia que não renderia um próximo capítulo, e esse era o caso. Nesse momento pôde sentir o que já havia passado nas mãos de outros. A famosa frase musical, paixão antiga sempre mexe com a gente. Meses atrás, seu coração havia disparado, pela última vez. Ele tinha tudo para ser o candidato ideal e disse tudo o que Adão queria ouvir, mas quando a coisa começou a esquentar escapuliu como um peixe ensaboado. Como entender alguém assim, se as declarações eram tão explicitas e recíprocas? Adão tentou não ser pegajoso, nem frio demais, mas nada adiantou. Agora também não conseguia encontrar alguém que fosse esse portal do paraíso. Sendo assim, rasgou o cartão logo que chegou em casa após mais uma balada dos “Adões” perdidos. Não adiantava tentar com um novo Adão inexperiente, era preciso algo mais, como sinos tocando ou algo do tipo. Não sentia mais nada pela tal paixão antiga, até já o havia encontrado na rua e sentido tamanha indiferença ou despeito, o que o obrigou a não olhar na cara do infeliz. Afinal é preciso saber o que se quer! Para ter alguém covarde do lado, não é melhor ficar sozinho? Adão não queria se prender, como o mundo a sua volta, mas andava sentindo a falta de ter alguém para dividir sonhos, além de ter maçã e serpente todos os dias. O problema é que essa coisa vicia. Aí sim, poder brincar de Almodóvar e dizer - Ata-me!
Escrito por Cesar Póvero às 20h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Os Morros dos Ventos Uivantes
Sim, leitor! Este é quase o nome de um clássico da literatura inglesa. Mas não foi nessa história de amores melancólicos, com desfechos do melhor tipo - morrer de amor - que Adão pensou. Emile Brontë, a escritora solteirona ou suas irmãs que talvez nunca souberam o que teria sido uma boa noite, tarde ou manhã de sexo. Adão se lembrou disso quando estava na mesa de um bar e viu um rapaz passar, dentro de seu jeans justo. Ah! O(s) Morro(s) dos Ventos Uivantes. Emile deve estar se revirando no caixão com tamanha depreciação. Entre um copo e outro, Adão pensou no mais puro desejo carnal, aquele entre a serpente e maçã. Porém será que todos são assim? Desejam, cheios de fome, após comer... a maçã, seja “ela” quem for, tudo fica vazio, como após uma boa digestão. Por isso queremos sempre mais? Sentiu saudades ao pensar na época que conheceu só através dos livros e filmes, ou da “encadernação” passada, quando todos andavam muito vestidos. Época em que se morria de amor sem nem mesmo ver a carinha da serpente. Adão se distraiu quando o dono do jeans, sentou-se à mesa em frente e sorriu. Nessa hora não há literatura, a única é a dos poros, como numa leitura em Braille. O olhar torna-se um código Morse. Depois de algumas informações trocadas, Adão levava alguém para conhecer seu - Wuthering Heights - paraíso particular. Logo ambos estavam como vieram ao mundo. A lei da atração fez com que seu visitante se deitasse de bruços sobre o chão da sala, enquanto Adão preparava a trilha sonora infernal. Bastou um olhar, sua serpente se encantou com a paisagem, foi então que veio em sua mente – Os Morros dos Ventos Uivantes. Adão/Heathcliff, não se esqueceu daquela noite, mas mal se lembra daquele rosto, o que foi provavelmente recíproco. O mais difícil era encarar seu novo cliente de turismo, ter que fotografar paisagens, mas nenhum morro se compara. Desculpe! Irmãs Brontë, o romance é belo, mas os morros... Ah! São para se perder horas...
Escrito por Cesar Póvero às 20h07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Abra a Boca e Feche os Olhos!
Não leitor! Nem sempre é possível satisfazer-se com brinquedos, ilusões e fantasias. Adão adentrou sua casa querendo ter algo mais que um bicho de pelúcia embaixo do braço. Esses desejos surgem de repente, não há tempo de procurar ou de planejar. Na hora da fome, se corre para uma loja de conveniência mais próxima, numa outra necessidade fisiológica se corre para o poste mais próximo. Na hora da vontade de amar, o que se faz? Não necessariamente só sexo, mas pequenos jogos de sedução regados com algumas taças de vinho. Além de jogos verbais, sensações que vêem da boca, depois... cair de boca. Tudo isso demanda tempo. Abrir uma temporada de caça? Um safári de sedução e apanhar a presa ideal? Fazer uma rápida consulta a agenda? Flashback! Esses pensamentos povoaram a mente de Adão por segundos, antes que ele acendesse a luz, mas ainda atrás da porta. Assim desejou que alguém o dominasse por trás, rosto oculto, com clima de amor bandido, com hálito quente e sussurrado. Talvez o desconhecido estivesse todo de preto como um ninja, ou em peles de animais como um bárbaro. O que um bárbaro estaria fazendo ali? Bem, se é para imaginar, vale tudo. O corpo desconhecido o pressionaria, e imobilizado por braços fortes, ouviria uma frase sacana que nos remete as travessuras da infância. – Abra a boca e feche os olhos! Adão não hesitou e se jogou... no chão.
Escrito por Cesar Póvero às 13h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Boa Noite, Amiguinhos!

Adão não se conformou quando se lembrou que teria que fotografar bichos de pelúcia de uma nova marca. Enquanto fotografava os inocentes bichinhos. Ficou pensando no quanto as pessoas em nossos dias precisam de bichinhos de pelúcia, ou pets de verdade. Para quem se habilita a limpar cocô e levar para passear. No paraíso moderno, todos querem pecar, se encantam com as serpentes, mas nada de compromisso. Sexo por internet cada vez mais evoluído, já existem cadeiras de prazer onde o navegador manipula a distância, saciando os olhos pela webcam, controlando os estímulos da cadeira com vibrador, pelo mouse. Por hora só no primeiro mundinho. Além de réplicas de seres humanos com cabelos e unhas, textura de pele e consistência real de um ser humano de verdade, basta ter alguns milhares de dólares. Adão se lembrou de “Blade Runner”, sentiu-se o próprio caçador de andróides em busca do sexo perdido no paraíso hi-tec. Quando nenhum Adão quer mais compromisso, é preciso sempre estar em busca de um novo, às vezes acaba-se pagando por isso de uma maneira ou de outra. Adão queria um bicho grande e macio, que lhe dividisse a cama em noites frias ou vazias. Também não queria um braço embaixo de si, um ronco, ou algum ruído mais desagradável. Não queria ter que falar com ninguém pela manhã. Viu aqueles bichos de pelúcia tão grandes e não hesitou em perguntar quando entrariam no mercado. Que bobagem! Disse a responsável pela marca que acompanhava as fotos. – Pode escolher qual você quer levar. Depois daquele dia todo de trabalho, foi para casa em seu carro, com uma agradável companhia, que nada dizia, nada pedia. A hora em que Adão quisesse, poderia jogá-lo da cama e este não reclamaria de ser usado e procurado por interesse. No porta-luvas encontrou um estilete, afinal o bichão não tinha nenhum buraquinho. Adão sussurrou no ouvido do novo parceiro. – Amor! Prometo que não vai doer nada. Tá?
Escrito por Cesar Póvero às 20h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Dando Duro

É, caro leitor! Os personagens da ficção, assim como Adão, também trabalham. Se não, pareceriam irreais. O que se espera dos personagens é que tenham uma vida mais interessante que a nossa, meros mortais. Adão é um fotógrafo bem sucedido, pode escolher o trabalho que aceita. Os mais interessantes de fotografar, são os que mexem com a vaidade, carros, perfumes, móveis, roupas. São sempre os cenários mais belos, assim como seus modelos. Nada contra as criancinhas vendendo biscoito, ou velhinhas vendendo plano de previdência privada. Enquanto Adão se dirigia para seu estúdio, ficou pensando nele como Adão contemporâneo, vivendo neste infernal paraíso cheio de tentações. Afinal todos nós somos produtos e temos que nos vender, como: boa imagem, bom profissional, bom amante, bom namorado... Tentou se livrar da serpente que ainda estava em sua cabeça e da maçã que ainda estava em sua cabeça de baixo. Por falar nisso, bom mesmo é fotografar underwears, principalmente seus recheios e cabides. Sim! As cuecas evoluíram! As zorbinhas enfadonhas da infância tornaram-se objetos de desejo e seus modelos sonhos comestíveis, tanto quanto aqueles sonhos recheados de creme, doce de leite ou goiabada. Enquanto mudava a marcha, tentou desviar o pensamento para que sua serpente desencantasse. Afinal chegando ao estúdio, teria que dar duro. Por falar nisso, o sonho de Adão seria fotografar as underwears da Calvin Klein. Caralho! Adão bateu o carro!
Escrito por Cesar Póvero às 12h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Adão & Adão
Amigo leitor, as Memórias de Adão começam assim: Num certo dia Adão acordou nu sobre um gramado, logo identificou que se tratava do Paraíso, não um resort, aquele paraíso famoso, onde dizem que tudo começou. Uns dizem que ele – Adão – o 1º homem do universo, fora criado do barro, aquela história de que... veio da terra e a terra voltará. Ao mesmo tempo, uma professora sua da adolescência, disse que Adão era um macaco e assim sendo, Eva uma orangotango, uma chimpanzé, enfim. Já numa filosofia que freqüentou por um bom tempo, quando já era um homem feito, diziam que todos vieram de outro planeta. O leitor não deve estar entendendo onde quero chegar, mas ao final compreenderá. Bem que Adão sempre se sentiu um alienígena em seu próprio mundinho. Se ele era de barro é porque a terra havia explodido e provavelmente seria ele, nosso protagonista, uma bactéria desenvolvida que havia sido promovida a Homem, o pior era a teoria de que a Eva era uma costela dele. Teria sido Eva uma anã? Pois o barro de uma costelinha não deveria servir de material para muita coisa. Então Adão não curtiu Eva com todas aquelas diferenças e com certa fominha foi procurar algo diferente, sentiu um aroma de fruta fresca que vinha do pomar, lá encontrou alguém como ele, um outro Adão só que bem diferente, ele era branco e o outro era negro, ficaram ali se olhando. Foi então que ele viu pela primeira vez uma serpente de pé e olhando para ele, foi irresistível, acabou encantando a serpente e comendo a tenra maçã. Nosso Adão contemporâneo acordou em sua cama, em seu apartamento, viu que tudo não havia passado de um sonho, estava atrasado, nessas horas o mais difícil é conseguir mijar de pau duro, não tem coisa pior. Aí sim, sair correndo para o trabalho. Só pensou alto... - Ah! Estava tão bom naquele Paraíso, quero voltar logo!
Escrito por Cesar Póvero às 01h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |